José é um garoto espevitado. Curioso, pergunta sobre todas as coisas. Adora brincar com sua bola e ama falar de futebol. Tem seis anos. Nome de adulto, cara e jeito de criança. Na boca, faltam alguns dentes, normal da idade. Sobram, porém, atitudes que prendam a atenção na conversa dos mais velhos.

Conheci José em uma pelada da 89FM. Ele acompanhara o seu pai, nosso adversário naquela noite. Não me recordo o resultado, mas não me esqueço de José. Magrelo, desproporcional pela idade e extremamente tagarela. Parecia um espelho.

Já fui como José.

Com os olhos arregalados, ele respeita a dor quando falamos da tragédia na Colômbia. Perdemos amigo, colegas de profissão. Com respeito, focou no pastel de carne e na Coca Cola. Preferiu o silêncio sobre o ocorrido.

Falamos do Futsal. José contou que tem alegria em acompanhar os jogos. Ele basicamente ignora a questão dos resultados, os tropeços do ano. O fato do time existir é melhor do que reclamar sobre as questões pontuais. É o bem maior.

Com a camisa tricolor, José não esconde a paixão pelo JEC. Chateado com o rebaixamento, fala da decepção nos pênaltis com Jael. Gosta, porém, da raça de Fernando Viana. Não sabe o nome de muitos jogadores, mas aprova Juninho e também fala do Kadu.

Ignorando o campo, José fala continuamente das vezes que foi à Arena. Explana a paixão em sentar na arquibancada e não esconde o desejo pelo espetinho de carne, sagrado em todos os jogos.

José tem esperança.

É uma criança, não desiste. Sabe cantar o hino do JEC. Sabe que temos a chance de comemorar dias melhores em 2017. José ama seu pai, fala com orgulho da sua família. Seus olhos brilham. Para José, a vida é simples, mas é extremamente apaixonante. Contagiante.

Temos poucos dias de férias e raros momentos de descanso.

Voltamos com o blog no dia 3. Até lá, pensaremos como José. Fé, esperança, amor em família. Seguimos em frente, avante! Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

O bonde não pára.

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