Pronto para uma reformulação geral, o Joinville deve oficializar a contratação de Rogério Zimmermann nos próximos dias. Porém, independente do treinador, o conceito apresentado por Carlos Kila em entrevista à 89 FM (leia aqui) já diz sobre o que esperar do clube no futuro.

Mergulhado na imensidão de decisões equivocadas de uma gestão temerosa e de apostas ineficientes do departamento de futebol, o JEC, enfim, mostra uma luz à sua torcida. Pela primeira vez na atual diretoria, a montagem do time será realizada observando todos os conceitos necessários.

Primeiro, foi escolhido um modelo de jogo. Após disputar a primeira Série C de sua carreira, Carlos Kila está decidido que a competição precisa ser jogada por atletas mais vigorosos, fortes. A habilidade não será a característica principal. Logo, a chance do Joinville torna-se um time letal em bolas paradas e sofrer poucos sustos defensivos é muito grande.

Foto: Aldo Carneiro

Depois, o papel principal é buscar um treinador que se enquadre neste perfil escolhido. Hemerson Maria, campeão pelo JEC em 2014, é um deles, porém está empregado e faz um bom trabalho no Vila Nova. Mazola Júnior e Paulo Roberto Santos também ganharam destaque. Entretanto, a escolha foi Rogério Zimmermann, conforme falamos aqui.

Após definir o modelo de jogo e escolher o treinador que colocará a proposta em prática, é necessário ir ao mercado e formar um time com as valências necessárias para efetivação da proposta. Os jogadores são como peças de engrenagens que serão cirurgicamente colocadas em ação visando o êxito do modelo exigido.

Dentro do contexto de marcação, é possível enxergar uma rede de conexões/ações individuais que, se bem sincronizadas, refletirão uma resposta coletiva bem estruturada, ou seja, torna-se importante uma preocupação com a estratégia coletiva e com as ações táticas individuais que permitem essa manifestação.

Em síntese, o treinador deve definir e estimular através de treinamentos se sua equipe tomará decisões defensivas baseadas no posicionamento da bola; no fechamento de espaços que poderão ser utilizados pelo adversário de forma perigosa, no intuito de proteger a meta; na preocupação com adversários específicos; ou em uma ação que envolva mais de uma dessas referências.

Com isso, pela primeira vez o Joinville seguirá uma linha cronológica para formação de um time ideal. Algo completamente oposto às temeridades feitas desde janeiro de 2016. Abaixo, o blog disseca as situações salientando os percalços do Tricolor.

  • Paulo César Gusmåo
    Time Base: Jhonatan (Agenor), Edson Ratinho, Rafael Donato, Bruno Aguiar e Diego; Danrlei (Naldo), Anselmo e Diego Felipe; Gustavo Sauer; Felipe Alves e Welinton Júnior.

Um time com pouca inspiração e muito dos conceitos do elenco rebaixado na Série A. Laterais que apoiavam, dois volantes que buscavam o jogo e um falso 9. Poucas triangulações e uma amplitude limitada. Uma equipe que buscava a velocidade, mas que tinha dificuldade para marcar gols.

  • Hemerson Maria
    Time Base: Agenor; Edson Ratinho (Mário Sérgio), Bruno Aguiar, Rafael Donato e Diego; Diones (Naldo), Anselmo e Diego Felipe (Kadu); Pereira; William Paulista (Felipe Alves), Adriano e Juninho (W. Júnior).

Com alguns reforços, o time mudou bruscamente a característica. Utilizou um centrovante (William Paulista ou Felipe Alves) e dois extremas que também ajudavam os laterais. Um jogo apoiado no meio e a bola parada como ponto principal. Bruno Aguiar, o zagueiro, foi o artilheiro no período.

  • Lisca
    Time Base: Jhonatan; Reginaldo, Danrlei, Fabiano Eller e Fernandinho; Naldo, Bertotto (Paulinho Dias); Bruno Ribeiro, Bruno Farias e Giva; Jael.

Em poucos meses, basicamente uma nova equipe foi contratada, empilhando jogadores no elenco. A formação novamente foi alterada, mostrando mais uma vez a fragilidade ideológica do clube. O JEC migrou para o 4-2-3-1 com os extremas buscando amplitude no meio e Bruno Farias abusando dos chutes de média distância. Na defesa, a linha alta buscava compactar o meio, mas deixou o time extremamente vulnerável.

  • Ramon Menezes
    Time Base: Jhonatan; Reginaldo (Everton Silva), Danrlei (Rafael Donato), Ligger e Fernandinho (Diego); Naldo, Tinga e Kadu; Carlos Alberto, Jael e Juninho (Fernando Viana ou Erick Luis)

Os dois volantes anteriores  ajudavam muito e pisavam na área. Este time tinha extremas que auxiliavam a marcação e uma prioridade na posse de bola, ignorando a verticalidade do antigo treinador. As linhas defensivas sempre quebravam.

  • Fabinho Santos
    Time Base: Matheus; Caique, Danrlei, Max e Fernandinho; Renan e Roberto; Fabinho Alves, Lúcio Flávio (Aldair) e Alex Ruan; Marlyson (Batata)

Novamente com extremas, o JEC de Fabinho Santos herdou alguns conceitos de Ramon Menezes. Mesmo sem atletas de qualidade ímpar, a defesa se tornou um dos pontos fortes, com o encaixe na marcação. Porém, a dificuldade de fazer gols novamente foi evidente.

  • Pingo
    Time Base: Matheus; Buiu, Charles, Max e Alex Ruan; Renan Teixeira, Tinga e Lúcio Flávio; Eliomar (Breno); Ricardo Lobo (Bruno Rodrigues) e Grampola.

Com um losango no meio campo, Pingo não abriu mão do seu conceito, mesmo sem as principais peças para utilização. Prorizando a individualidade, trouxe Lúcio Flávio para o anterior esquerdo e aboliu os extremas. Com o ímpeto ofensivo, a obsessão pelo ataque e a marcação sob pressão foram apenas algumas das caraterísticas do time.

Se a escolha pelo modelo agressivo do Joinville dará certo, somente o tempo irá dizer. Entretanto, é preciso reiterar a confiança na escolha feita pelo departamento de futebol. Uma abordagem que passa um conceito relacionado aos princípios operacionais defensivos (bloco, retardamento, equilíbrio, flutuação, cobertura, recuperação e compactação).

Modelo de jogo não é esquema tático e não se altera do dia pra noite ou após uma sequência de resultados negativos. Existe um caminho, uma ordem. O JEC , enfim, possuirá um DNA em campo..

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